HELENISMORumo Norte

Helenismo

Hinos

Ὕμνοι

Três corpora distintos: os Hinos Homéricos (arcaicos, épicos), os Órficos (rituais, teúrgicos) e os de Calímaco (helenísticos, eruditos).

Esta página traz um panorama com trechos representativos. Veja a página de Hinos Completos para as traduções integrais dos 87 Órficos, 33 Homéricos e 6 de Calímaco.

Hinos Homéricos

33 hinos hexâmetros arcaicos (séc. VII–V a.C.), atribuídos ao mesmo círculo rapsódico de Homero, usados como prelúdio rapsódico às epopeias.

Índice (33)

  1. 1. A Dionísio
  2. 2. A Deméter
  3. 3. A Apolo
  4. 4. A Hermes
  5. 5. A Afrodite
  6. 6. A Afrodite (breve)
  7. 7. A Dionísio (piratas)
  8. 8. A Ares
  9. 9. A Ártemis
  10. 10. A Afrodite
  11. 11. A Atena
  12. 12. A Hera
  13. 13. A Deméter (breve)
  14. 14. À Mãe dos Deuses
  15. 15. A Héracles Coração de Leão
  16. 16. A Asclépio
  17. 17. Aos Dioscuros
  18. 18. A Hermes
  19. 19. A Pã
  20. 20. A Hefesto
  21. 21. A Apolo
  22. 22. A Poseidon
  23. 23. A Zeus (breve)
  24. 24. A Héstia
  25. 25. Às Musas e a Apolo
  26. 26. A Dionísio
  27. 27. A Ártemis
  28. 28. A Atena
  29. 29. A Héstia
  30. 30. À Terra Mãe de Todos
  31. 31. A Hélios
  32. 32. A Selene
  33. 33. Aos Dioscuros

Textos completos

Hino Homérico a Deméter (n.º 2)

‘Cantarei Deméter de belos cabelos, deusa augusta, ela e sua filha de tornozelos delicados, que Aidoneu raptou; Zeus tonitroante de longe consentiu. Longe de Deméter da dourada foice, portadora de frutos brilhantes, ela brincava com as jovens Oceânidas, colhendo flores por um prado tenro — rosas, açafrão, belas violetas, íris, jacintos e o narciso que a Terra fez germinar como armadilha para a jovem de faces rosadas, por vontade de Zeus, para agradar a Aidoneu, o senhor de muitos.’

Hino Homérico a Apolo (n.º 3)

‘Cantarei — não posso esquecê-lo — Apolo que fere de longe, ao passar do qual os deuses no palácio de Zeus tremem; e todos se erguem de seus assentos quando ele se aproxima, quando estende seu arco brilhante. Somente Leto permanece ao lado de Zeus, que se compraz no raio; ela solta o arco e fecha a aljava, e, tirando o arco dos ombros vigorosos, pendura-o com as mãos em coluna dourada.’

Hino Homérico a Hermes (n.º 4)

‘Musa, canta Hermes, filho de Zeus e de Maia, senhor de Cilene e da Arcádia rica em rebanhos, mensageiro dos imortais, que Maia deu à luz, ninfa de belas tranças, unida em amor a Zeus. Ela evitava a assembleia dos deuses bem-aventurados, morando em antro sombrio. Ali o Cronida se uniu à ninfa de belas tranças, na noite profunda, enquanto o doce sono retinha Hera de níveos braços; nem imortal nem homem sabia.’

Hino Homérico a Afrodite (n.º 5)

‘Musa, canta-me as obras da áurea Afrodite, a de Cípria, que infunde nos deuses doce desejo, e subjuga as raças dos homens mortais, as aves aladas do céu e todos os animais, quantos a terra alimenta e quantos o mar sustenta: a todos são caras as obras de Citereia de belas coroas. Três são apenas as almas que ela não pode persuadir nem seduzir: Atena de olhos glaucos, Ártemis dos dardos áureos, e Héstia venerável.’

Hino Homérico a Dionísio (n.º 7 — os piratas tirrenos)

‘Recordarei Dionísio, filho da gloriosa Semele: apareceu à beira do mar infecundo, em promontório saliente, sob figura de jovem em flor de juventude; belos cabelos negros lhe ondulavam, e ele vestia um manto de púrpura sobre os ombros vigorosos. Logo apareceram homens de nau bem construída — piratas tirrenos, arrebatando-o. Quiseram acorrentá-lo; mas os grilhões nele não se sustentavam, caíam por si mesmos das mãos e dos pés.’

Hinos Órficos — trechos

Corpus de 87 invocações breves compostas entre os séc. II–III d.C. em círculos religiosos micrasiáticos.

Hino Órfico 1 — a Hécate

‘Hécate das encruzilhadas, celeste, terrestre e marinha, ó tu que caminhas pela noite… filha de Perses, amiga das solidões, rainha invencível: vem propícia aos ritos do iniciado, com ânimo bondoso.’

Athanassakis & Wolkow, 2013

Hino Órfico 15 — a Zeus

‘Zeus muito honrado, Zeus indestrutível, esta é a súplica que te dirigimos. Rei, tu revelaste divinas obras: Terra, Mãe dos Deuses, Éter brilhante; Mar e todas as estrelas do céu. Ouve, deus multiforme, e concede boa saúde, paz irrepreensível e prosperidade honrada.’

Athanassakis & Wolkow, 2013

Hino Órfico 84 — a Héstia

‘Ó Héstia, tu que ocupas a casa eterna dos deuses imortais, e a dos mortais; sagrada, veneranda, senhora da chama pura, deusa fundadora: ouve propícia, e concede aos iniciados vida em pureza e paz.’

Athanassakis & Wolkow, 2013

Hinos de Calímaco — trechos

Seis composições eruditas de Calímaco de Cirene (c. 305–240 a.C.), poeta da Biblioteca de Alexandria.

Hino a Zeus (I) — abertura

‘Nas libações a Zeus, que outro conviria cantar senão o próprio deus, sempre grande, sempre rei, dominador dos Pelagones, juiz dos filhos do Céu? … Salve, Cronida altíssimo, dador do bem, dador da segurança!’

Calímaco I.1–4, 91 (Stephens, 2015)

Hino a Apolo (II) — epifania

‘Como o ramo de louro tremeu, como toda a casa treme; para longe, para longe quem quer que seja pecador! Certamente é Febo que bate à porta com seu belo pé. Não vês? O carvalho delíaco se moveu com doçura; e o cisne canta belamente pelo ar.’

Calímaco II.1–5 (Stephens, 2015)

Hino a Ártemis (III) — pedido da menina

‘Dá-me, papá, virgindade para guardar sempre, e muitos nomes, para que Febo não me compita; e dá-me flechas e arco… e dá-me todas as montanhas; e uma cidade, apenas uma, qualquer que atribuas; pois raramente descerei a habitar cidades.’

Calímaco III.6–19 (Stephens, 2015)

Para ler os 87 hinos órficos e os 6 de Calímaco na íntegra: /hinos-completos.