A Teogonia — a origem dos deuses
Do Caos surgem Gaia, Tártaro e Eros; das potências primordiais nascem as gerações divinas até Zeus.
‘Primeiro, ao princípio, surgiu o Caos; depois, a Terra de amplo peito, sede sempre segura de todos os imortais que habitam o cume do nevoso Olimpo, e o brumoso Tártaro no fundo da terra de vastos caminhos, e Eros, o mais belo entre os deuses imortais, que dissolve os membros e vence a razão e o desígnio de todos os deuses e de todos os homens.’
Fonte: Hesíodo, Teogonia 116–122
‘Do Caos nasceram Érebo e a negra Noite; e da Noite, o Éter e o Dia, que ela concebeu unida em amor a Érebo. A Terra gerou primeiro, igual a si mesma, o estrelado Urano, para que a envolvesse por toda parte, e fosse sempre morada segura aos deuses bem-aventurados.’
Fonte: Hesíodo, Teogonia 123–128
Explicação
A cosmogonia hesiódica não é criação a partir do nada, mas ordenação sucessiva do Caos (χάος = ‘abertura, hiato’). A cada geração, as potências passam de indiferenciadas a distintas, culminando na monarquia de Zeus que estabelece Themis.
Conexão com Themis
Themis (‘ordem estabelecida’) só se torna esposa e princípio ativo com Zeus (Teogonia 901–906): a soberania olímpica é a passagem da força bruta ao direito.