Helenismo

Afrodite

Ἀφροδίτη

Deusa do amor, do desejo, da beleza e da união que gera vida.

Representação de Afrodite

Etimologia

Etimologia antiga: ἀφρός (‘espuma’), pois nasceu da espuma do mar (Hesíodo, Teogonia 195–198). Beekes classifica como não indo-europeia, provavelmente empréstimo do fenício ‘Astarte’.

Fonte Primária AntigaHesíodo, Teogonia 195–198; Platão, Crátilo 406c

Fonte Moderna AcadêmicaBeekes, EDG, s.v. Ἀφροδίτη

Domínios e 5 Epítetos

Amor, atração sexual, casamento, beleza, navegação (Afrodite Pontia), harmonia cósmica.

  • Οὐρανία (Ouranía) — ‘celeste’ — nascida de Urano; amor sublime.
  • Πάνδημος (Pándēmos) — ‘do povo todo’ — amor comum, cívico.
  • Κύπρις (Kýpris) — ‘cipriota’ — culto em Pafos.
  • Ἀναδυομένη (Anadyoménē) — ‘que emerge (das ondas)’.
  • Ἀρεία (Areía) — ‘guerreira’ — culto espartano.

Fonte Primária AntigaPausânias I.22 (Ourania e Pandemos); III.15 (Areia)

Mito Completo

Segundo Hesíodo, nasceu quando Cronos, castrando Urano, lançou os testículos no mar; a espuma gerou a deusa, transportada a Cípria em concha. Homero a apresenta como filha de Zeus e Dione (Ilíada V.370–417).

Fonte: Hesíodo, Teogonia 188–206; Ilíada V.370

Casada com Hefesto, ama Ares em segredo. Concede a Páris a mais bela mulher do mundo (Helena), evento causador da Guerra de Troia. Ama o pastor Anquises e gera Eneias, cuja descendência funda Roma segundo Virgílio.

Fonte: Hino Homérico a Afrodite, v. 45–290; Apolodoro, Epítome III.1

Preside à harmonia cósmica: Empédocles chama Amor (Philotēs) a força que une os elementos, contra a Discórdia (Neikos). Também acompanha os funerais dos que morrem jovens, protegendo-lhes a beleza (culto de Adônis).

Fonte: Empédocles, fr. B17 DK; Bion, Lamento por Adônis

Culto e Locais

  • Pafos (Chipre): Santuário mais antigo; culto aniconico em pedra cônica (Tácito, Histórias II.3).
  • Corinto (Acrocorinto): Templo de Afrodite; Estrabão relata culto de servas sagradas (VIII.6.20).
  • Cnidos: Abrigava a estátua de Afrodite de Praxíteles, a primeira grande deusa nua na arte grega (Pausânias I.1.3).

Fonte Primária AntigaPausânias I.1; III.15; Estrabão VIII.6.20

Visão Romana

Venus — mãe de Eneias, ancestral da gens Iulia.

‘Vênus é chamada porque veio para todas as coisas (venit ad omnia); daí vem também o nome do ato de venir.’

Fonte Primária AntigaCícero, De Natura Deorum II.69

Visão Neoplatônica

Plotino distingue duas Afrodites: a Urânia (Enéada III.5), amor puramente inteligível, e a Pandemos, amor da alma gerada. Ambas são reflexos do Bem que atrai as almas à unidade.

Fonte Primária AntigaPlotino, Enéadas III.5.2

Fontes — links Perseus