Helenismo
Ártemis
Ἄρτεμις
Virgem caçadora, senhora dos bosques, dos partos e da lua.
Etimologia
Origem incerta; provavelmente pré-grega. Antigos ligaram a ἀρτεμής (‘são, íntegro’) e a ἀερτεμής (‘que corta o ar’). Estrabão registra a interpretação anatólica ‘senhora dos animais’.
Domínios e 5 Epítetos
Caça, animais selvagens, natureza indomada, virgindade, parto, transição das jovens.
- Ποτνία Θηρῶν (Potnia Thērôn) — ‘senhora dos animais’ (Ilíada XXI.470).
- Φωσφόρος (Phōsphóros) — ‘portadora de luz’ — associada à lua.
- Λοχία (Lochía) — ‘do parto’ — protetora das parturientes.
- Ὀρθία (Orthía) — ‘ereta’ — culto espartano de iniciação masculina.
- Ἀγροτέρα (Agrotéra) — ‘agreste’ — sacrificada antes de batalhas (Xenofonte, Anábase III.2.12).
Fonte Primária AntigaPausânias III.16 (Orthia); Xenofonte, Anábase III.2.12
Mito Completo
Filha de Zeus e Leto, gêmea de Apolo, nascida em Délos. Aos três anos, pediu a Zeus o dom da eterna virgindade, sessenta oceânidas por companheiras, todas as montanhas por reinos e um arco fabricado pelos Ciclopes — segundo Calímaco.
Fonte: Calímaco, Hino a Ártemis, v. 6–39
Percorre bosques com sua matilha, castigando quem viola o pudor da natureza: Actêon, que a viu banhar-se, foi transformado em cervo e devorado por seus próprios cães; Níobe teve seus filhos abatidos por Apolo e Ártemis por gabar-se de superar Leto.
Fonte: Apolodoro III.4; Ilíada XXIV.605
Envia a Cálidon o javali contra o rei Eneu, que esquecera de honrá-la. Preside as danças rituais das jovens (partenoi) antes do casamento; recebe seus jogos e cabelos como oferenda de passagem à idade adulta.
Fonte: Ilíada IX.529; Apolodoro I.8
Culto e Locais
- Éfeso (Jônia): Ártemis Efésia, uma das sete maravilhas do mundo; culto marcadamente anatólico.
- Braurônia (Ática): Meninas atenienses (arktoi) participavam do rito antes da puberdade (Aristófanes, Lisístrata 645).
- Esparta: Templo de Ártemis Orthia; rito de flagelação dos efebos (Xenofonte, República dos Lacedemônios II).
Fonte Primária AntigaPausânias I.33 (Braurônia); III.16 (Orthia); Heródoto I.26 (Éfeso)
Visão Romana
Diana — assimilada ao culto italiano no bosque de Nemi (Diana Nemorensis).
‘Diana e Luna são consideradas a mesma. Luna, de lucere (brilhar); Diana, porque à noite converte a escuridão em luz.’
Fonte Primária AntigaCícero, De Natura Deorum II.68–69
Visão Neoplatônica
Proclo interpreta Ártemis como potência ‘guardiã’ da forma, virgem porque mantém a pureza da vida gerada; a caça significa a purificação das almas dos apegos materiais.
Fonte Primária AntigaProclo, Teologia Platônica VI.11