Helenismo
Apolo
Ἀπόλλων
Deus da luz, da profecia, da música e da medicina; ordenador do canto e do rito.
Etimologia
Beekes considera de origem pré-grega. Antigos ligaram a ἀπόλλυμι (‘destruir’, Ésquilo, Agamêmnon 1080–82) e a ἁπλοῦς (‘simples, uno’), como faz Plutarco em De E apud Delphos.
Fonte Primária AntigaPlutarco, De E apud Delphos 20 (393a–c)
Fonte Moderna AcadêmicaBeekes, EDG, s.v. Ἀπόλλων
Domínios e 5 Epítetos
Oráculo, luz, música (lira), cura, arqueiros, purificação, colonização, juventude masculina.
- Φοῖβος (Phoîbos) — ‘brilhante, puro’.
- Πύθιος (Pýthios) — ‘de Delfos’, matador da Píton.
- Μουσηγέτης (Mousēgétēs) — ‘condutor das Musas’.
- Ἰατρός (Iatrós) — ‘médico’ — pai de Asclépio.
- Ἑκάεργος (Hekáergos) — ‘que fere de longe’ — arqueiro.
Fonte Primária AntigaPausânias X.5–7 (Delfos); Calímaco, Hino a Apolo
Mito Completo
Filho de Zeus e Leto. Perseguida por Hera, Leto encontrou refúgio em Délos, ilha flutuante, onde deu à luz Ártemis primeiro e depois Apolo; ao nascer, os cisnes cantaram sete vezes ao redor da ilha, que se fixou no fundo do mar.
Fonte: Hino Homérico a Apolo, v. 25–139
Ainda jovem, foi a Delfos e matou com suas flechas a serpente Píton, filha de Gaia, que assolava a região. Fundou seu oráculo no lugar, mas teve de purificar-se pelo derramamento de sangue no vale de Tempe. Ali celebrou os Jogos Píticos.
Fonte: Hino Homérico a Apolo, v. 179–546; Apolodoro I.4
Ensinou a lira, herdada de Hermes; educou os poetas e regeu as Musas. Amou Dáfne (transformada em loureiro), Ciparisso, Jacinto. Foi pai de Asclépio, o divino médico. Serviu, punido por Zeus, ao rei Admeto de Feras, como pastor.
Fonte: Apolodoro III.10; Ovídio, Metamorfoses I; Eurípides, Alceste, prólogo
Culto e Locais
- Delfos: Oráculo panhelênico. A Pítia, sentada na trípode, transmitia respostas do deus. Sede dos Jogos Píticos.
- Délos: Ilha natal; grande santuário jônico com procissões e coros descritos no Hino Homérico.
- Dídima (Jônia): Grande oráculo de Apolo Dídimeu, dependente de Mileto (Heródoto VI.19).
Fonte Primária AntigaPausânias X.5 (Delfos); Heródoto VI.19
Visão Romana
Apollo — assumido em Roma pelo mesmo nome, culto oficializado por Augusto no Palatino.
‘Apolo, a quem os gregos chamam Phoibos, é a mesma divindade que o Sol.’
Fonte Primária AntigaCícero, De Natura Deorum II.68
Visão Neoplatônica
Proclo faz de Apolo o princípio da unidade que reúne o múltiplo: as sete cordas de sua lira harmonizam as esferas; sua ‘Α-πολλόν’ significa ‘não múltiplo’, o que devolve as almas ao Uno pela contemplação.
Fonte Primária AntigaProclo, Teologia Platônica VI.12