Helenismo
Hermes
Ἑρμῆς
Mensageiro dos deuses, condutor das almas, deus das trocas e da palavra fecunda.
Etimologia
Derivado de ἕρμα (‘monte de pedras, marco’), ligado aos hermas que sinalizavam caminhos. Platão (Crátilo 407e) o vincula a ἑρμηνεύς (‘intérprete’). Beekes admite raiz pré-grega.
Fonte Primária AntigaPlatão, Crátilo 407e–408b
Fonte Moderna AcadêmicaBeekes, EDG, s.v. Ἑρμῆς
Domínios e 5 Epítetos
Viagens, comércio, comunicação, ladrões, atletismo, sono, oratória; guia das almas (psicopompo).
- Ἀργειφόντης (Argeiphóntēs) — ‘matador de Argos’, o gigante de cem olhos.
- Διάκτορος (Diáktoros) — ‘condutor, mensageiro’.
- Ψυχοπομπός (Psychopompós) — ‘condutor das almas’ ao Hades.
- Ἐμπολαῖος (Empolaîos) — ‘dos negócios/mercado’.
- Νόμιος (Nómios) — ‘pastoril’ — protetor de rebanhos.
Fonte Primária AntigaPausânias I.15.3; VII.20.2
Mito Completo
Filho de Zeus e Maia, nascido em gruta do monte Cilene, na Arcádia. Ainda no berço, escapou, matou uma tartaruga e com sua carapaça inventou a lira. À noite, saiu a roubar cinquenta bois de Apolo e escondeu-os em Pilos.
Fonte: Hino Homérico a Hermes, v. 1–140
Descoberto por Apolo, tentou negar, mas Zeus arbitrou: Hermes entregou a lira, e Apolo entregou-lhe o caduceu (κηρύκειον) e a vara dourada; desde então tornaram-se amigos. Hermes também inventou a flauta de Pã e a arte de acender fogo.
Fonte: Hino Homérico a Hermes, v. 400–580
Torna-se o mensageiro por excelência: conduz Príamo ao acampamento aqueu (Ilíada XXIV), leva Odisseu a comer moly contra Circe (Odisseia X), traz Perséfone de volta a Deméter, e guia as almas dos pretendentes ao Hades (Odisseia XXIV).
Fonte: Ilíada XXIV.334–469; Odisseia X.275–306; XXIV.1–14
Culto e Locais
- Cilene (Arcádia): Monte natal com templo antigo e imagem itifálica arcaica (Pausânias VIII.17).
- Atenas: Ruas cheias de hermas — pilares com cabeça de Hermes; caso célebre da mutilação em 415 a.C. (Tucídides VI.27).
- Feneu (Arcádia): Culto de Hermes; procissão anual sobre o traçado dos primeiros pastos (Pausânias VIII.14).
Fonte Primária AntigaPausânias VIII.14, 17; Tucídides VI.27
Visão Romana
Mercurius — protetor do comércio e da eloquência.
‘Mercúrio é assim chamado por ser o senhor das mercadorias (a mercibus).’
Fonte Primária AntigaCícero, De Natura Deorum II.66
Visão Neoplatônica
Proclo faz de Hermes a inteligência mediadora (λόγος) que traduz o inteligível ao sensível; ele conduz as almas à contemplação como as conduz ao Hades: em ambos os casos, é o hermeneuta divino.
Fonte Primária AntigaProclo, Comentário ao Crátilo §176