Helenismo
Hera
Ἥρα
Rainha do Olimpo, patrona do casamento legítimo e da soberania feminina.
Etimologia
Sentido incerto. Beekes vincula à raiz *yer- (‘estação, ano’), sugerindo ‘a Consagrada / Senhora do tempo devido’. Platão (Crátilo 404b–c) associa a ἐρατή (‘amável’), noiva de Zeus.
Domínios e 5 Epítetos
Casamento, matrimônio legítimo, parto, soberania real, vida cívica das mulheres.
- Τελεία (Teleía) — ‘consumada/plena’ — a que perfaz o casamento.
- Ζυγία (Zygía) — ‘do jugo’ — une os esposos sob o mesmo jugo.
- Βασίλεια (Basíleia) — ‘rainha’ — soberana do Olimpo.
- Ἀργεία (Argeía) — ‘de Argos’ — grande centro de culto.
- Παῖς (Paîs) — ‘donzela’ — culto em Estínfalo, Pausânias VIII.22.
Fonte Primária AntigaPausânias II.17 (Heraion de Argos); VIII.22 (Estínfalo)
Mito Completo
Filha de Cronos e Reia, engolida ao nascer e restituída pela artimanha de Zeus. Foi criada, segundo alguns, por Oceano e Tétis. Zeus a cortejou disfarçado de cuco em uma tempestade; Hera acolheu-o e desde então tornou-se sua esposa legítima.
Fonte: Hesíodo, Teogonia 453–458; Pausânias II.17.4
Do casal nasceram Ares, Hebe e Ilítia; sem união com varão, Hera concebeu Hefesto. Muitas de suas ações no mito são reações à quebra da soberania do casamento por Zeus — perseguindo Leto, Sêmele, Íon, Héracles.
Fonte: Hesíodo, Teogonia 921–929; Apolodoro I.3.1
Renova anualmente sua virgindade banhando-se na fonte Canato, em Náuplia — rito que fundamenta os mistérios femininos do Heraion. Em Samos, uma estátua arcaica era anualmente reconduzida ao mar em procissão que reencenava as núpcias sagradas.
Fonte: Pausânias II.38.2; Ateneu, XV.672
Culto e Locais
- Heraion de Argos: Principal santuário; grande estátua criselefantina de Policleto (Pausânias II.17).
- Heraion de Samos: Templo colossal do séc. VI a.C.; festa das Tonáia com procissão marítima.
- Olímpia: Templo de Hera é o mais antigo do santuário; sede dos Jogos Heraia, corrida de mulheres em sua honra (Pausânias V.16).
Fonte Primária AntigaPausânias II.17; V.16
Visão Romana
Iuno (Juno) — Iuno Regina, no Capitólio, com Júpiter e Minerva.
‘Iuno é chamada a rainha, porque nada há de mais elevado do que ela senão Júpiter.’
Fonte Primária AntigaCícero, De Natura Deorum II.66
Visão Neoplatônica
Proclo lê Hera como o princípio vivificante que se une ao demiurgo Zeus, sendo a fonte inteligível da alma e da matéria receptiva; o ‘jugo’ (ζυγόν) traduz metafisicamente a conjunção entre limite e ilimitado.
Fonte Primária AntigaProclo, Comentário ao Crátilo §165–170