Helenismo
Atena
Ἀθηνᾶ
Deusa da sabedoria, do artesanato e da guerra justa; polias de Atenas.
Etimologia
Nome pré-grego; provavelmente denominativo da cidade (‘a de Atenas’) e não o contrário. Platão (Crátilo 407b) o vincula a ἀ-θεο-νόα, ‘mente divina’, ou a ἠθονόη, ‘que conhece os caracteres’.
Domínios e 5 Epítetos
Sabedoria prática (métis), tecelagem, olaria, estratégia militar, direito, patronato cívico.
- Παλλάς (Pallás) — ‘brandidora (de lança)’; ou nome de sua companheira de infância.
- Γλαυκῶπις (Glaukôpis) — ‘de olhos glaucos/de coruja’ — luz cortante.
- Πολιάς (Poliás) — ‘da pólis’ — imagem de oliveira no Erecteion.
- Ἐργάνη (Ergánē) — ‘trabalhadora’ — patrona de artesãos.
- Πρόμαχος (Prómachos) — ‘que combate à frente’ — grande estátua de Fídias na Acrópole.
Fonte Primária AntigaPausânias I.24; I.26–27
Mito Completo
Zeus, temendo que o filho de Métis o destronasse, engoliu a deusa grávida. Do crânio de Zeus, fendido por Hefesto, nasceu Atena já adulta, armada, com um grito guerreiro que estremeceu o Olimpo.
Fonte: Hesíodo, Teogonia 886–900, 924–926; Hino Homérico 28 a Atena
Na disputa pela Ática, ofereceu a oliveira e venceu Poseidon; tornou-se protetora da pólis. Criou o menino Erictônio, nascido da terra, entregando-o em cesta às filhas de Cécrops. Estas violaram a proibição de olhar, e foram enlouquecidas.
Fonte: Apolodoro III.14; Heródoto VIII.55
Ensinou aos homens o freio do cavalo, o carro, a flauta, o tear e o cultivo da oliveira; presidiu à consagração dos artesãos. Na Ilíada, é a estrategista aliada dos aqueus e conduziu Odisseu ao regresso na Odisseia.
Fonte: Ilíada V; Odisseia XIII.287–302
Culto e Locais
- Partenon (Acrópole de Atenas): Templo dórico dedicado a Atena Parthenos; abrigava a estátua criselefantina de Fídias.
- Erecteion (Acrópole): Templo de Atena Poliás, com a oliveira sagrada e a antiga xoana de madeira.
- Templo de Atena Alea (Tegeia): Grande santuário do Peloponeso restaurado por Escópas (Pausânias VIII.45).
Fonte Primária AntigaPausânias I.24–27; VIII.45
Visão Romana
Minerva — parte da Tríade Capitolina.
‘Minerva… assim chamada porque diminui ou porque ameaça (minuit / minatur), símbolo da inteligência que dirige tudo.’
Fonte Primária AntigaCícero, De Natura Deorum II.67
Visão Neoplatônica
Proclo considera Atena a Intelecção pura do demiurgo, princípio virginal que preserva a unidade da forma; sua ‘égida’ é a potência que refulge da inteligência protegendo o mundo do dissolver-se.
Fonte Primária AntigaProclo, Comentário ao Timeu I.166–169